A Artista

Panmela Castro , mais conhecida como Anarkia, estudou na Escola de Belas Artes da UFRJ e escapou para fora da borda tradicional do quadro quando começou a fazer graffiti de forma intensa e apaixonada, sendo os muros hoje seu principal suporte. Seu trabalho é baseado no estimulo à reflexão da potência que o graffiti tem em seu ambiente natural: a rua.

Uma das figuras mais importantes do graffiti brasileiro, pela liderança que exerce no movimento feminista e pela respeitabilidade do trabalho diante da produção nacional, Anarkia tem força diante de um mundo basicamente formado por artistas homens, onde meninas sempre foram minoria e nunca chamaram muita atenção. Escreve sua história com sua arte, quebrando barreiras de rótulos e pré-conceitos.

Ao longo do tempo em que se dedica ao trabalho nas ruas, Anarkia foi indicada 2 vezes ao Prêmio Hutúz, estimula a produção do Graffiti Art no Brasil através da participação em grandes eventos, oficinas e projetos, além de desenvolver pesquisa sobre história do graffiti carioca, apresentando palestras e artigos sobre o tema.

Mulheres de Negro e Baton Vermelho

Com caráter feminista, a exposição consiste em uma instalação que tem como objetivo principal o estímulo à reflexão sobre a sexualidade da mulher e os tabus ainda existentes. A artista encontrou na Galeria Paris o ambiente perfeito para seus questionamentos, uma vez que se localiza dentro de um hotel de alta-rotatividade em funcionamento, em zona de prostituição no Centro do Rio de Janeiro.

Sua reflexão artística em “Mulheres de Negro e Batom Vermelho” é sobre o bloqueio feminino relacionado ao próprio sexo. As regras que as mulheres recebem da sociedade para uma conduta ideal, cheia de preconceitos, que em pleno século XXI ainda as restringem de agirem com a liberdade desejada. São muitas as barreiras por serem vencidas. Daí o contraponto em expor seu trabalho no Hotel Paris.

Na exposição, a arte de Anarkia desnuda reações como o pavor e a descriminação das mulheres comuns, que no fundo desejam superar bloqueios e despir-se da capa de freira deixando aflorar toda a sua sexualidade - o “Batom Vermelho” -, e por em prática seu direito à liberdade. Colocando-as no Hotel Paris, ao lado das mulheres que freqüentam o local, é como jogar no lixo todo o nosso preconceito e toda a parafernália de palavras que acompanham os pensamentos, assumindo todas simplesmente como Mulheres.

Abertura 29 de novembro, 5º feira, às 19hrs.
Avenida Passos, nº7c - 2º andar - Parça Tiradentes - RJ

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