Penumbra

MUITAS FORMAS DE SE FALAR SOBRE RACISMO

Os dados mostram que o número de mulheres negras como chefes de família é alto. Elas precisam trabalhar para sustentar suas casas e cuidar de seus filhos, sem a ajuda de um companheiro. Essas mulheres vivem dificuldades para se firmarem em relacionamentos amorosos pois estão longe do padrão de uma “mulher considerada para se casar”. São preteridas por mulheres brancas.

“Mulher negra:  afetividade e solidão”, intitula a pesquisa de Ana Cláudia Lemos Pacheco sobre a solidão da mulher negra, que também é o objeto de pesquisa desta série de fotografias de longa e dupla exposição. Penumbra é uma obra autobiográfica em que falo sobre racismo.

Registro nessa série minhas noites de solidão durante a quarentena de 2020. Não falo sobre sensualidade, e o que a torna sensual é o olhar racista que hipersexualiza o corpo de mulheres miscigenadas. Retrato a solidão enquanto desdobramento de um problema social.

As fotografias também questionam a solidão enquanto luxo. Luxo de querer se sentir só, enquanto outras pessoas passam fome e lidam com graves problemas estruturais para manter suas famílias durante um período gravemente afetado pela COVID-19.

Texto de Panmela Castro