A Máquina Lírica

“Não é raro, em 2021, constatarmos nossa incapacidade frequente de distinguir realidade e ficção. Fato é que o presente soa delirante: não sobrou acordo algum a respeito de fatos sociais básicos, os parâmetros de leitura do real caducaram e o pacto democrático parece cada vez mais longínquo. Se o projeto de poder em curso é delirante ao seu modo, a fabulação também existe enquanto força propositiva. É a imaginação, afinal, que expande os horizontes negociáveis do possível e se afirma enquanto prática social essencial para a construção de identidades coletivas, afirmando-se enquanto operação fundamentalmente política. Mesmo por isso, os artistas aqui reunidos buscam ter na fabulação um empreendimento de saúde: possibilidade de vida.”

Fragmento do texto de Pollyana Quintella para a exposição.

Curadoria de Pollyana Quintella. Panmela Castro participa com as obras da série Culto Auto-Referente. Fotos da exposição: Edouard Fraipont

Após um ano de isolamento social, Panmela, que vive só, decide passar um tempo na casa das pessoas e cria a série Residência. Antes de ir morar na casa de Lu, mãe de Jandira — ativista social e amiga de Panmela de longa data, além de ser uma das fundadoras da Rede Nami —  Panmela faz quarentena no NACO (Núcleo de Artes do Centro Oeste). 

Sozinha no espaço da residência, Panmela produz uma nova série de Penumbras em um dia de Lua Cheia. Logo nasceria um boato de que uma mulher de longos cabelos cheios caminhava pelo vilarejo nua. Este boato se espalhou, e Panmela acabou, de alguma forma, tornando-se uma nova lenda folclórica.